Debate "Situação da Rede de Transportes Terrestres de Passageiros em Vila Nova de Gaia" -22 de Maio, 21.30
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Esta iniciativa terá lugar no


No passado sábado realizou-se um Encontro Autárquico da CDU que visou fazer um balanço da atividade desenvolvida e preparar as linhas de ação a desenvolver nos próximos meses. Nesta iniciativa foi possível partilhar as experiências individuais, detetar fragilidades e apontar as suas soluções, e bem assim delinear estratégias e calendarizar ações.
UM CONCELHO ESTAGNADO
A política de investimento público no concelho de Vila Nova de Gaia define-se com uma palavra: estagnação. O atual Governo do PSD/CDS agravou as tendências retrativas dos Governos anteriores, de nada valendo ser o terceiro concelho mais populoso do País e integrar um polo com algum dinamismo económico. Os exemplos abundam, como o continuado adiamento do Metro, do Centro Hospitalar, dos Centros de Saúde, da reabilitação de escolas e remoção de amianto dos seus telhados, da construção de instalações adequadas para PSP e GNR; e também as carências em meios humanos e materiais na Saúde, na Justiça, na Educação, na Segurança, e em outros sectores da Administração Pública, o aumento dos horários de trabalho sem a correspondente remuneração; a precariedade reina nas contratações nas escolas e na Saúde, e os cortes financeiros às Autarquias tem impedido muitos e necessários investimentos e condicionado a sua autonomia.
GAIA MANTÉM-SE PERIFÉRICA E SEM CRIAR CENTRALIDADES PRÓPRIAS
Não há, em Gaia, nenhum forte desígnio que sustente uma via de desenvolvimento, que mobilize a população, os trabalhadores, os agentes económicos, as forças vivas do concelho, pelo que os índices de pobreza e desemprego estão entre os mais elevados do distrito de Porto.
Há, sobretudo, uma visão assistencialista, que ampara a pobreza mas perpetua as desigualdades e gera estigmas sociais. Uma política de oportunidades, de experimentalismo empresarial sem um rumo consistente, de empreendedorismo como sucedâneo do emprego, de acções de formação e afins de interesse volátil e para mascarar o desemprego, de aproveito incerto dos Fundos Comunitários, cada vez mais voltados para o domínio do imaterial.
O investimento público diminuiu e o privado ainda não recuperou. O sector da distribuição pesa em excesso, atraído pela proximidade dos grandes eixos viários, mas o sector produtivo ainda não recuperou do encerramento de grandes empresas na última década. Continua a ser um concelho onde tudo se vende mas pouco se cria e produz. O caso da "Valadares" é paradigmático: depois de um período de péssima gestão, acabou por quase falir, e só sobrevive agora devido ao esforço dos trabalhadores e a uma tremenda redução de efetivos.
A reabilitação urbana é outro dos caminhos prioritários, onde existem possibilidades de financiamento, mas o tempo passa e os resultados parecem ainda escassos. A orla marítima e fluvial, sobretudo esta, continua a concitar as atenções. Parece estar a tornar-se numa área preferencial de atração do investimento privado. Mas mal seria que se transformasse numa área dominada por condomínios fechados e hotéis de luxo, um El Dorado da especulação imobiliária, com pequenas multidões em trânsito nos seus ritmos sazonais, mas sem população residente, de todas as condições sociais, com raízes fundas, identidade e memória, sentido de comunidade.
O Plano Diretor Municipal, revisto e em vigor há já alguns anos, deveria ser tema de uma sessão pública, aberta à população, que permitisse ao Executivo camarário fazer um ponto da situação, dos problemas, dos bloqueios, das potencialidades.
POLÍTICA AUTÁRQUICA: RENOVAÇÃO NA CONTINUIDADE
É cedo para uma avaliação fundamentada da atual gestão municipal, mas tal como nos anteriores mandatos a CDU tem sido uma Oposição que se quer justa, exigente, e responsável.
Já a proximidade do PS ao PSD/ CDS foi claramente patente no passado, e talvez por isso não ocorreu a rutura com políticas e conceções, antes se assistiu a uma renovação na continuidade; e tem havido matérias essenciais em que existe uma profunda divergência entre a CDU e a maioria PS:
São questões de fundo e não de mera conjuntura, e a CDU continuará a intervir sobre elas.
LINHAS DE AÇÃO FUTURAS
O Programa Eleitoral da CDU, cujas "70 Medidas" se mantêm inteiramente válidas, oferece um critério de aferição da política seguida pelo Município.
Algumas das medidas que propusemos, como a realização de reuniões descentralizadas da Assembleia Municipal ou o lançamento da Bienal das Artes, já foram concretizadas, com o que nos congratulamos.
Mas há insuficiências e omissões em todos os domínios: na Gestão, na Democracia de Proximidade, na Juventude, na Educação, na Ação Social, no Emprego e Desenvolvimento, no Movimento Associativo, no Ambiente, nas Águas e Saneamento, na Mobilidade, na Cultura.
Estamos a considerar levar à Assembleia Municipal três propostas de Recomendação à Câmara que, tendo feito parte do Programa da CDU e por não implicarem um aumento significativo de despesa, poderão ser eventualmente acolhidas.
Na Assembleia da República o PCP apresentou já 16 Projetos de Lei para repor as 16 Freguesias de Gaia que foram extintas, tem desenvolvido iniciativas neste e em outros órgãos a reposição do horário das 35 horas semanais, e irá em breve apresentar uma proposta contra a municipalização do Ensino, que é um desígnio do Governo de Direita que tem sido criticado frontalmente pelos mais diversos motivos, em especial porque potencia a criação de desigualdades e facilita a privatização de serviços essenciais.
A CDU significa trabalho, honestidade, competência, e também participação democrática, defesa do bem público, desenvolvimento e qualidade de vida, emprego com direitos, cultura, ética na política.
Significa os valores de Abril no futuro de Portugal.
Por isso, em contacto com as populações, vamos continuar a trabalhar no sentido de efetivas mudanças na política autárquica no Concelho.
Makro, insígnia pertencente ao grupo alemão Metro,
promove despedimento colectivo em Portugal
A cadeia de lojas Makro, pertencente ao Grupo alemão Metro (detentor também da insígnia 'Media Markt') anunciou que pretende proceder a um despedimento colectivo em Portugal abrangendo cerca de 230 trabalhadores, sendo que cerca de 90 são trabalhadores da região do Grande Porto, das lojas de Matosinhos e de Vila Nova de Gaia.
Este despedimento colectivo transporta consigo uma tremenda injustiça sobretudo quando a empresa multinacional anunciou que em 2014 triplicou os seus lucros face a 2013, atingindo os 127 milhões de euros.
Estamos perante uma empresa que terá beneficiado de apoios do Estado Português e da União Europeia quando se instalou em Portugal e que agora ignora pura e simplesmente esses apoios que terão sido viabilizados recorrendo também aos impostos dos trabalhadores portugueses. Mais uma vez assistimos à transferência mais ou menos encapotada da riqueza gerada pelos trabalhadores directamente para os bolsos dos grandes empresários.
Acresce à injustiça que representa este despedimento colectivo o facto de a empresa, ao arrepio das regras, e em vez de anunciar a lista dos trabalhadores que pretende despedir e negociar com esses trabalhadores a eventual rescisão contratual, inverteu o processo e andou a "convidar" os trabalhadores a abdicarem do seu posto de trabalho, pressionando-os com a ameaça que se não aceitassem o acordo iriam ser incluídos no processo de despedimento colectivo e seriam despedidos com valores de indemnização inferiores.
Desta forma a empresa tenta tornear os procedimentos legais a que está obrigada no âmbito do despedimento colectivo. Nada garante que, depois de conseguir acordos de rescisão mais ou menos forçados com alguns trabalhadores, a empresa não venha a promover o despedimento colectivo do mesmo número de trabalhadores que tencionava incluir nesse processo antes de negociar as rescisões, aumentando por esta via o número de trabalhadores a despedir.
O PCP, através dos deputados na Assembleia da República Diana Ferreira e Jorge Machado, apresentou no dia 28 de Abril perguntas sobre este processo ao ao Ministro da Economia e ao Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social.
O PCP entende que um grupo empresarial que apresentou os resultados positivos que alardeou em 2014 e que beneficiou dos apoios que terá beneficiado para se instalar em Portugal não deveria optar por fazer com que sejam os trabalhadores a pagar a factura de maus actos de gestão da Makro. O PCP repudia mais esta atitude típica do capitalismo mais selvagem, que invariavelmente opta pela sua máxima de partilhar os prejuízos e arrecadar os lucros.
Exigimos que o Governo e a Câmara Municipal de Gaia interpelem a empresa sobre as suas intenções e sobre a justeza das mesmas.
O PCP de Vila Nova de Gaia solidariza-se com os trabalhadores pressionados a aceitar as rescisões dos seus contratos e com os que, não tendo cedido às pressões a que foram sujeitos, possam eventualmente vir a ser objecto do processo de despedimento colectivo, e exorta-os a defenderem o seu posto de trabalho, demonstrando à empresa que a riqueza que ajudaram a criar ao longo dos anos, fruto do seu trabalho e empenho, deveria ser razão suficiente para que a sua entidade patronal não os considerasse dispensáveis e não os descartasse para garantir o crescimento da acumulação de lucros.
Vila Nova de Gaia, 30 de Abril de 2015
PCP/Gaia